Neotaylorismo digital e a economia do (des)compartilhamento

jan. 1, 2020·
Carlo Cosentino
Carlo Cosentino
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Resumo
O presente artigo tem como objeto os modelos de divisão do trabalho da economia do compartilhamento a partir das formulações apresentadas pela administração científica contemporânea. Descreve o neotaylorismo digital aplicado às plataformas informacionais, em modelos considerados “bem-sucedidos” pelo capitalismo cognitivo, contudo onerosos socialmente. Neles, os “colaboradores” são chamados a “empreender” sem proteção social mínima, com renda insatisfatória, em jornadas extenuantes, sem estabilidade alguma, desprovidos de identidade de classe e distantes de garantias básicas, como seguridade social. O estudo parte, assim, para duas proposições: revelar a falsidade da expressão “economia do compartilhamento”, uma vez que ela é, na verdade, instrumento de reforço do espírito individualista e concorrencial neoliberal; e alertar para a necessidade de restauração da consciência de classe, agora de caracteres ao mesmo tempo reformistas — para ampliar os cânones da proteção e garantir dignidade a todos os trabalhadores e trabalhadoras — e revolucionários, para restabelecer as lutas emancipatórias também no campo digital.
Tipo
Publicação
Futuro do Trabalho: os efeitos da revolução digital na sociedade, 417–430. Brasília: ESMPU
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Carlo Cosentino
Authors
Professor Adjunto · Faculdade de Direito do Recife · UFPE
Professor Adjunto da Faculdade de Direito do Recife – UFPE. Doutor em Direito pela UFPE. Pesquisa em impactos das tecnologias da informação e da comunicação nas relações de trabalho.